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Foto: Elvis Palma | A tradição da pesca artesanal (Molhes da Barra)

30 de março de 2014

17 - Getúlio Vargas e a Laguna

"Perfil" de Getúlio, sempre ao lado dos trabalhadores. 2013 (Foto: Elvis Palma)
Este ano, completa-se sessenta anos do suicídio de Vargas, mas qual a relação do presidente com a nossa cidade? O que ele fez? Vamos descobrir!

O Presidente Getúlio (por Ana Christina Gutierrez Kieling*)
*professora de história e arqueóloga
Grande personagem da história política brasileira, gaúcho de São Borja, nasceu em 1882. Foi Deputado Estadual, Ministro da Fazenda e Governador do Rio Grande do Sul, antes de chegar à Presidência da República em 1930. Chefiou o Movimento Revolucionário de 1930, o que o levou ao posto máximo da nação por meio de um Golpe de Estado.

Busto de Getúlio no Rio de Janeiro, 2014.
(Foto: Paulo Tarso)
Ficou conhecido como "O Pai dos Pobres", apelido este que ganhou através da instalação de leis trabalhistas que vigoraram a partir de seu governo.

A Assembléia Constituinte criado por ele, o elegeu em 1934 como Presidente da República. Em 1937, fecha o Congresso Nacional e instala assim o "Estado Novo", foi deposto em 1945.

Volta ao poder em 1950, através de eleições diretas. Presidente com o maior mandato até hoje. Seu período no governo ficou conhecido como "Era Vargas", seus seguidores eram conhecidos como fervorosos "getulistas", se suicidou em 1954.

A Aliança Liberal na Laguna
Comitê "Pró-Aliança Liberal" na Rua Haulino Horn
(Acervo: Dalmo Mendes Faísca /
Fonte: Projeto Imagens de Laguna)
Em 1º de março de 1930, ocorreria a eleição para presidente e o povo dominado pelo "voto de cabresto", já sabia que seria um mineiro na sucessão de um presidente paulista afinal vivia-se os tempos do café-com-leite².

Foi então que quando o então presidente Washington Luís (paulista) decidiu não apoiar um mineiro, e sim o conterrâneo Júlio Prestes (com Vital Soares, para vice), o sistema caiu por terra. Como oposição à chapa, surgia a Aliança Liberal, com os presidentes-de-estado³ gaúcho Getúlio Vargas e o paraibano João Pessoa, recebendo ainda o apoio dos descontentes mineiros, fator que seria positivo para a vitória da Revolução de 1930 – que ainda falarei aqui no blog, em breve.


Terminada a apuração, foi declarado vencedor do pleito o candidato Júlio Prestes, que recebeu mais de um milhão de votos, contra quase 700 mil de Vargas, em todo o território nacional. Na Laguna, segundo informa O Albor, a chapa Prestes-Vital recebeu 1.689 votos e a Aliança Liberal, apenas 254.

Porém, os eleitos nem receberam a faixa presidencial, em 24 de outubro de 1930, um golpe de estado liderado pelos candidatos derrotados, impediu a posse, e decretou um governo provisório, era o início da chamada "Era Vargas" que durou até 1945.

O Porto Carvoeiro da Laguna e o Monumento do Trabalhador
Porto Carvoeiro em construção (acervo Jadna Mendonça / Diário do Sul)
Saímos agora, desse período de instalação da "Era Vargas", pulemos agora para o Porto Carvoeiro da Laguna. Quando a economia do café, desestabilizou-se com o crash econômico de 1929, as cidades do sul, se preocuparam em como sobreviver sem esse produto que, agora caía cada dia mais no quesito exportação, para contornar recorreram ao carvão mineral, que já fora no século passado uma importante fonte de renda e também o motivo principal da criação da primeira ferrovia catarinense, a Estrada de Ferro Dona Thereza Christina. Nesse lado então fazia-se crescer as ex-freguesias lagunenses Criciúma, Tubarão, Lauro Mülle) e a novata Henrique Laje (Imbituba)₄, fazendo entrar em profundo esquecimento a capital histórica de Santa Catarina, que na época dependia muito das exportações e importações que se dirigiam para os portos vizinhos

Na época tinha só o precário porto do Mercado Público, e, claro a promessa eterna de um novo à ser construído, eis então que, Getúlio Vargas, assina em 16 de setembro de 1939, o decreto número 11.676, criando assim por decreto o Porto Carvoeiro de Laguna. Vale destacar que o então prefeito municipal Giocondo Tasso, só conseguiu a assinatura porque expôs ao presidente  quando este veio ao estado – a necessidade de se modificar o porto lagunense, o presidente só liberou a obra pois era um ponto estratégico da escoação do carvão mineral extraído no sul e da Companhia Siderúrgica Nacional, que estava sendo instalada em Volta Redonda (RJ).

Por volta de 1940, começou-se a ser construído no bairro Magalhães, o porto carvoeiro, possuindo modernos guindastes elétricos, além de uma usina termelétrica própria. Os atos de mudanças no porto representava uma esperança de desenvolvimento para a cidade que estava 'na poeira do esquecimento'.

Giocondo Tasso, em 30 de outubro de 1941, realiza uma reunião com a presença dos prefeitos de Tubarão, Orleães, Minas, Urussanga, Criciúma e Henrique Laje, onde todos aprovam e apoiam a ideia de se construir o monumento ao "grande chefe da nação brasileira". Enviando logo após ofício ao interventor barriga-verde³ na época, Nereu Ramos  que havia sugerido a homenagem –, comunicando do sucesso da reunião e, pedindo apoio.

Para a construção, decidiu-se utilizar as pedras rosadas da Praia do Iró, contratou-se a empresa de prestação de serviços do senhor Íris Luz para que esta realizasse a obra de extração que – conforme data no verso de fotos (ao lado)  teria começado em 03 de maio de 1943. Dezenas de operários trabalharam no corte daquelas pedras usando uma caibra de cinco toneladas, minuciosamente cada pedra, e levadas para o local onde seria erguido.

Para esculpir, em bronze toda a arte da homenagem, foi contratado o mestre escultor Hidelgardo Leão Velloso. Em minhas pesquisas, não encontrei uma data exata da inauguração do monumento, que deve, ter sido inaugurado em 1943, fico no aguardo de quem possa ajudar a responder essa dúvida.

A estátua tem 11,50 metros de altura, que apresentam artes que exaltam Getúlio, com seu perfil colocado numa das laterais, dividindo  o monumento, que de um lado mostra o trabalho braçal sem apoio e segurança de trabalhadores semi-nus no trabalho de extração carvoeira e no outro mostra o amparo e dos direitos que os operários conquistaram com a chegada daquele que era o "pai dos Pobres", demonstrando a satisfação geral do povo não só o lagunense, com a criação de leis trabalhistas. A estátua, a forma como foi construído, com as pedras rosadas, sendo colocadas em forma desalinhada sendo que uma aresta encontrava a outra numa forma diferente, lembrando a ideia de uma chaminé de usina, conforme apontam Dorval Nascimento e João Bittencourt.

Mas nem tudo na vida são flores, foi então que com os fins da II Grande Guerra Mundial e da "Era Vargas", ambos em 1945, o nosso porto entrava novamente em declínio, sem suporte caía no ostracismo, igualmente para a cidade, como aponta a Revista do Globo, numa de suas edições em 1959, no mesmo ano da publicação dá-se início do projeto de transformação de porto carvoeiro em porto pesqueiro.

Dias Atuais
Hoje em dia, o antigo Porto Carvoeiro da Laguna, foi modificado, passando a ser um terminal pesqueiro, com os mesmos aspectos da época de criação, embora, claro com alterações na estrutura, recebe embarcações de pequeno porte, e recentemente (abril/2015), voltou a fabricar gelo, retornarei ao assunto em breve.

O monumento ao Trabalhador, está ainda na rótula do Magalhães, embora desgastado pelo tempo. E Getúlio Vargas, continua sendo referência ainda hoje, por muitos é considerado um dos maiores presidentes da nossa história, e ainda nomeia uma avenida em Laguna, que, apagou seu ostracismo, sobrevivendo hoje em dia, da pesca e do turismo, recebendo cada dia mais turistas de todo o mundo e de todo o Brasil.

Notas 
¹ - Getúlio, em seus documentos assinava como nascido em 1883, embora tivesse nascido um ano antes.
² - Nome pela qual ficou conhecida a sucessão presidencial onde um mineiro sempre substituía um paulista, onde mesmo assim houve presidentes "estrangeiros", como um paraibano (Epitácio Pessoa) e um gaúcho (Hermes da Fonseca)
³ - Somente em 1947, os governadores de Estado, ganhariam essa denominação, até então eram chamados de interventores federais (após a revolução de 1930) e presidentes de estado (até a revolução de 1930).
₄ - Imbituba, era distrito lagunense, quando, em 1870, inciou a construção de seu porto. Já no ano de 1923, é elevada a categoria de município, sendo que sete anos depois (1930), seria novamente reintegrada à Laguna. Passados dezenove anos, novamente foi desmembrada, com o nome de Munício de Henrique Laje, homenagem para o engenheiro carioca que foi um dos principais idealizadores de seu porto, recebendo vinte e oito anos depois, o nome de Imbituba.
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Referências Bibliográficas

    Livros
    GUEDES JÚNIOR, Valmir. Porto da Laguna: a luta de um povo traído. 1ª Edição. Florianópolis: Edição do Autor. 1995.


    Trabalhos Acadêmicos
    SILVA, Greice Kelly Kila da. Disputa pelo poder em Laguna: da consolidação dos liberais à ascensão de Giocondo Tasso. Trabalho de Conclusão de Curso (curso de história). UDESC, 2013.

    Periódicos e Revistas
    Jornal O ALBOR (Laguna)
    Resultado do pleito de 1º de março. Laguna. Edição 1345. Ano XXIX. 13 de março de 1930.

    REVISTA DO GLOBO. Porto Alegre: Livraria do Globo. Edição 738. 21 de março de 1959.

    Revista VARIA HISTÓRIA
    NASCIMENTO, Dorval. BITTENCOURT, Joõa Batista. De granito e de bronze – marcos da identidade carbonífera em cidades catarinenses. Belo Horizonte: UFMG. Volume 24 - no. 39. Janeiro / Junho de 2008
    Base Eletrônica de Dados
    BLOG DO VALMIR. Valmir Guedes Júnior.  A Estátua. Disponível Aqui.
    LAGUNISTA. Jacquelline Ainsmann Bullos. Diversos Artigos. Disponível Aqui - in web archive form 2011 -
    LAGUNA. Praia do Iró: Uma pequena praia que serviu para homenagear um presidente da república. Disponível Aqui.
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    atualizada em 29 de abril de 2015, nova revisão.

    4 comentários:

    1. Muito boa essa publicação sobre Getúlio Vargas, muita qualidade. Parabéns. Att. Paulo Tarso

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      1. Obrigado pela visita e pelo elogio, Paulo.

        Volte Sempre!

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    2. Parabéns. Belo texto.

      Marinho Buriho

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      1. Obrigado Marinho. Continue sempre passando aqui pelo blog.

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