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Foto: Elvis Palma | A tradição da pesca artesanal (Molhes da Barra)

24 de setembro de 2013

08 - A triste história do Boto Flipper

No Oceanório em São Vicente, antes de sua soltura, no ano de 1992. (Acervo d'A Tribuna, de Santos)
Numa noite traiçoeira, um pescador recebendo uma encomenda, joga sua rede ao mar e captura um filhote de boto, em nome das artes foi levado para um tanque e, lá ficou se apresentando para crianças e adultos... Até que... O seu local de apresentações fechou e, aí como o pobre boto ficou? Venha descobrir

O pescador Euclides Neto – popularmente conhecido como Tido –, recebeu no ano de 1984, uma encomenda para que capturasse um filhote de boto. Assim foi feito, jogando sua rede no Molhes da Barra ele conseguiu um filhotinho com apenas dois anos de idade que foi levado para São Vicente (SP), o ato foi autorizado pela Superintendência de Desenvolvimento da Pesca (Sudepe) do estado de São Paulo.

Apresentações 

Criança alimenta Flipper, 1992
(acervo Folhapress)
Chegando na cidade litorânea, o jovem boto foi levado para um dos tanques do parque Oceanório, uma das muitas atrações de São Vicente (SP) e Santos (SP), lá começou a receber seus treinamentos para realizar saltos e piruetas e, ganhou o nome que o faria famoso: Flipper, para ser igual ao seu 'irmão' da série de televisão estadunidense (aqui episódio da série [em inglês])

Treinado pelo proprietário do empreendimento, o francês Roland Marc-Degret, no ano de 1988, ele fez seu primeiro show. Logo, Flipper, foi conquistando muitos olhares atentos e sorrisos de crianças que iam aos domingos à noite assistirem seu show.

Os ecologistas bradam: Flipper livre

Cinco anos após a captura de Flipper (1989), o ecologista Márcio Algeri, presidente do Tucuxi - Grupo de Apoio ao Boto, denunciava que os tanques do Oceanório eram mantidos em precárias condições e, denunciava mau tratos que os animais sofriam. Amparado pelo decreto nº 24.645, de 1934, o Ministério Público entrou com ação e, exigiu imediatamente o interrompimento dos shows e a retirada do boto. 

Mesmo tendo parado de se apresentar, o boto ainda recebia alguns visitantes que levavam uns peixinhos para que ele matasse a fome. O caso ganha outra fase quando o Tribunal de Justiça de São Paulo, decide que Flipper volte para sua terra natal, Laguna, era o dia 20 de junho de 1992.

Para a reabilitação do boto, foi chamado o treinador Richard "Ric" O'Berry, conhecido por ter treinados os animais da série Flipper, e que após ler reportagem em que dizia que quando preso em cativeiro os botos tendem à viver menos que os livres, decidiu se "redimir" retreinando novamente os seus colegas para que pudessem se readaptar ao mundo 'livre'.

Quando se apresentava, o boto ganhou muitos fãs, dentre os quais destaca-se o menino André Alex Souza, na época com 10 anos, que organizou passeata e abaixo-assinado (conseguiu reunir 500 assinaturas), pedindo ao Presidente da República para que deixasse o animal aqui, o motivo apresentado era que o Flipper não sobreviveria pois não conseguiria se alimentar e muito menos sabia caçar.

Flipper volta para casa


18 de janeiro de 1993. A partir das 11 horas da manhã, uma multidão calculada em mais de 4 mil pessoas já começava a se formar. Momentos de tensão não faltaram, um helicóptero preparado para o transporte do famoso boto para Laguna, possuía uma porta muito pequena para uma caixa especial onde Flipper seria colocado, solução: serrar.

Um grupo de vinte pessoas ajudou à retirar o boto da água suja do tanque onde estava, ele sedado, bateu com a cabeça na porta do tanque provocando um leve sangramento, rapidamente contido, sem mais problemas por volta das 12h45m foi transportado em maca até o helicóptero que decolou faltando vinte minutos para as 14 horas da tarde. Seria esse um adeus dos vicentinos? 

No caminho para Laguna recebeu uma pequena marca na forma da Bandeira nacional. Por volta das 14 horas, ele foi recebido por uma multidão de aproximadamente 500 pessoas e logo conheceu seu novo lar, um cercado onde seria destreinado e poderia então caçar e comer peixes pescados por ele mesmo.

Após um mês e meio em treinamentos, em 02 de março de 1993, às 9h, Ric O'Berry foi para fora do cerco e, o cetáceo o acompanhou, mesmo sem estar muito experiente, Flipper foi libertado, no período em que esteve no cercado, fez amizades com um pinguim da Patagônia e, ganhou muitos fãs. Uma faixa dizia "Adeus Flipper! Tenha uma vida feliz!". 

Tentando se aproximar de um grupo de botos, ele vagou pelo Rio Tubarão, mas sem ter desenvolvido seu sonar, acabou excluído. Sem rumo, foi visto em Palhoça (SC), na Baía de São Francisco do Sul (SC), reapareceu em São Vicente (SP), retornando para o litoral catarinense de onde não foi mais visto. Depois do caso, shows do tipo foram proibidos no país e em Laguna criou-se o Instituto Boto Flipper, e aproveitando surgiu também um hotel com o nome do famoso boto, o saudoso Boião, mandou entalhar dois cetáceos em madeira e colocar em frente ao seu restaurante.

Oceanório

Inaugurado no ano de 1967, foi o primeiro da América Latina, sobrevivendo por mais de 20 anos, era programa de domingo, seu proprietário o francês Roland Marc-Degret era também o treinador dos animais. Reunia focas e botos amestrados, depois de seu fechamento foi abandonado até ser demolido em 1998.

Bônus:


Agradecimentos

Ao guia ambiental e presidente da AGTA, Júlio César Vicente, que "emprestou" fotos e textos, aproveitando acessem o blog "Cetáceos" escrito por ele.
Agradecimentos também à professora Andréa Matos Pereira, que cedeu fotos do acervo pessoal de Alexandro Moreira Pereira.

Fontes e Referências

Publicações
VICENTE, Júlio CésarFlipper, a saga de um boto da Laguna. Release. 1994.

Periódicos
Jornal FOLHA DE SÃO PAULO
BIANCARELLI, AurelianoJuiz liberta último Flipper brasileiro. Cotidiano. Folha de São Paulo. 20 de jun, 1992.


Jornal O ESTADO DE SÃO PAULO
Estudantes farão passeata em apoio ao golfinho hoje. Interior. O Estado de São Paulo. 02 de maio, 1992.
SABOYA, ElaineFlipper brasileiro já é atração internacional. Cidade. O Estado de São Paulo. 21 de dez, 1992.
Volta para casa. Capa. O Estado de São Paulo. 19 de jan, 1993.


Base Eletrônica de Dados
Carlos Pimentel MendesFlipper, do Oceanório ao Oceano - Parte 01. <disponível aqui>
Carlos Pimentel MendesFlipper, do Oceanório ao Oceano - Parte 02. <disponível aqui>

Fontes de Pesquisa

FOLHA DE SÃO PAULOAcervo Histórico do Jornal Folha de São Paulo. <disponível aqui>
O ESTADO DE SÃO PAULOAcervo Histórico do Jornal O Estado de São Paulo. <disponível aqui>
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Atualizado em: 26 de setembro,  27 de setembro de 2013 e 16 de novembro de 2013

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