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Foto: Elvis Palma | A tradição da pesca artesanal (Molhes da Barra)

17 de setembro de 2013

07 - A Vingança da Donna Thereza

Na sétima história, a história da 'vingança da Estrada de Ferro Donna Thereza Chistina':
(Atualizado em: 18 de setembro, 25 de setembro de 2013 e 18 de dezembro de 2013)
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Há um ano atrás, assistimos pela novela da Rede Globo, "Avenida Brasil", a história de Rita / Nina, que arquitetava um plano de vingança contra sua ex-madrasta... Hoje não falo de novela, mais aproveitando o tema falo da ''Vingança da Estrada de Ferro Donna Thereza Christina''.

O Vagão usado como estação. (Extraído do Livro 'Laguna: Memória Histórica' de Ruben Ulysséa)
Como tudo começou?
Antes uma voltinha no tempo, construído no século XIX, no centro próximo a antiga linha férrea, havia uma casa de comércio, que pertencia a um senhor português chamado Francismo Monteiro conhecido como Chico Careca, a casa também serviu de mercado público e em seus últimos anos, foi transformada em estação ferroviária pela EFDTC - Estrada de Ferro Donna Thereza Christina, essa estação funcionou por quase 10 anos, até começar a se tornar um pardieiro, por causa da má conservação.

Lá no longínquo ano de 1923, precisamente no dia 31 de março, um grupinho de rapazes denominados ''Zé Pereira'', descontentes com a situação, se juntam e destelharam a estação do centro, jogando dentro do prédio quase uma tonelada de entulho, no dia seguinte o diretor da ferrovia, o doutro César Pina desloca-se de Tubarão, onde residia, e pessoalmente veio ver o ato ''revoltante da Laguna'', sendo recebido com uma orquestra de latas de querosene vazias,  irritado, só faltava dizer: ''Tu me pagarás, ó povo atrevido'' .
Porto de Laguna, com o vagão-estação (detalhe) (Reprodução/Facebook Cristiano Rosa)


E a Vingança?

Então continuando, o Dr. Pina, mando que fosse feito um projeto de uma nova estação pra cidade 'revoltosa', porém quando o arquiteto da ferrovia, entregou o projeto nas folhas azuis de um plano, Pina, mandou arquivar o projeto e assim estava Laguna, nas mãos da EFDTC, que obrigava, nós pobres lagunenses a ter de esperar os trens da ferrovia, no centro da cidade sob sol ou chuva sem lugar pra aguardar, o vagão gélido da ferrovia.

Mais também como forma de "brincar" um pouco mais com a população lagunense, César Pina, mandou estacionar em março de 1926, no centro de Laguna, o vagão (foto acima) de prefixo S-6, que servirá a ferrovia por quase 20 anos, aquele vagão tinha o objetivo de ser utilizado como carro-estação e ser a estação definitiva e como diz o professor Ruben Ulysséa em crônica publicada no Jornal ''A Cidade'', o vagão parecia que iria ficar lá per saecula saeculorum.


Na noite fria e calma de um certo dia do mês de abril de 1926, um grupo de jovens, munidos de várias latas de gasolina e querosene ateou fogo ao carro estação, sendo completamente consumido pelas chamas, o ato, irritou ainda mais a direção da Ferrovia, que decidiu construir, um pequeno edifício, tão minúsculo, de modo a ''selar a vingança'', tal estação foi construída em 1930, esta estação ficou de pé até os anos 60, quando foi demolida e foi construída outra no Campo de Fora.


E por último para encerrar, a nova estação de Laguna, construída após a destruição do vagão - estação, tinha sido projetada em 1923, como dito anteriormente, e tal fato, ainda teve outro motivo, a ferrovia quis passar 'boa imagem' aos lagunenses.
Na época, dos dois crimes, a Delegacia de Polícia, não conseguiu descobrir quem eram os jovens que destruíram as estações, posteriormente passados 80 anos, Raul Ferreria (ex-delegado de polícia de Laguna) confessou ter participado de um dos "crimes".
A Estação construída no lugar do vagão. (Extraído do livro 'Tereza Cristina - A Ferrovia do Carvão' de Walter Zumblick).
Referências
Publicações:
*ULYSSÉA, Ruben. Laguna: Memória Histórica. 1ª Edição. Brasília. Editora Letra Ativa. 2004. 310p.

Base Eletrônica de Dados:
*GIESBRECHT, Ralph Menucci. Estações Ferroviárias do Brasil / E.F Tereza Cristina (Laguna) - <Disponível aqui>
*BULLOS, Jacqueline Aisenman. Site Lagunista / Caminhando pela Cidade - <Disponível aqui>

2 comentários:

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