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Foto: Elvis Palma | A tradição da pesca artesanal (Molhes da Barra)

9 de setembro de 2013

06 - Os primeiros jornais e o início da imprensa em Laguna

Primeiro Número de ''O Município'' (Extraído do Livro 'Laguna: Memória Histórica' de Ruben Ulysséa)
Quem foi o pioneiro da imprensa Lagunense? Quem foi o responsável por lançar esse 'vírus da imprensa'?... Venha descobrir agora em mais uma história
Por muito tempo as cartas foram a única forma de comunicação brasileira, ainda uma colônia portuguesa, nada que fosse impresso poderia circular fora de Portugal, o mundo vivia uma expansão, muitos periódicos completavam já seus centenários...

A imprensa chegou ao Brasil de modo rebelde. Natural da Colônia do Sacramento (então cidade brasileira), Hyppolito Jose da Costa, produziu clandestinamente em Londres (Inglaterra), o Correio Braziliense (Armazem Litterario), cuja primeira edição aportou em terras brasileiras no dia 1º de junho de 1808. 
Por ser proibida a circulação de impressos, toda a publicação foi apreendida pelos soldados imperiais. Só com a chegada da Família Real (junho, 1808) é que foi impresso o primeiro jornal totalmente autorizado, a Gazeta do Rio de Janeiro... E o que se seguiu daí em diante é história que dever ser lida calmamente.

Um lagunense funda a Imprensa Catarinense

Durante a turbulência política que viveu o Brasil (agora independente) no ano de 1831, que culminou com a abdicação de Pedro I e, consequentemente com o início do período regencial, já que Pedro II, era menor de idade.

No campo político haviam dois grupos, os conservadores e os liberais exaltados, neste último grupo, um lagunense, de nome Jerônimo Francisco Coelho, residente na capital imperial, decide retornar a sua província natal.


Trazendo consigo um prelo e todo o material tipográfico necessário, adquirido com apoio de alguns amigos, ele na Rua da Liberdade, em Desterro, abre a sua oficina gráfica e produz sozinho o pequeno O Catharinense, o primeiro jornal de sua província.


Exercendo sozinho as obrigações de tipógrafo, redator, subscritor e distribuidor, Jerônimo fechou sua oficina, entregando seu material para a Sociedade Patriótica Catharinense que logo como pagamento de divida teve de entregar o mesmo para a Fazenda Provincial (órgão do governo).


Nas mãos do governo, por mais de dez anos, a Typographia Provincial produziu o Diário Oficial Catarinense e, alguns impressos até vir a...


Amigo Leitor, por um defeito em nosso prelo, deixaremos de publicar o desfecho da primeira parte 
d'esta magnífica e interessante história. Mas como na segunda parte, vosmecê poderá compreender o final incompleto desta parte, sendo assim, não há por que publicar a continuação...

Imprensa? Só da capital

É importante citar que embora distante, a imprensa sempre esteve na Laguna desde as primeiras edições d'O Catharinense, o pioneiro jornal era vendido na loja do senhor Antônio José Machado, conforme consta em seu cabeçalho. Outros da capital catarinense que circularam aqui foram: O Desterrense, O Mercantil, Periodico da Semana e também o pioneiro jornal diário O Argos. Todos estes despachados para a Laguna pelo precário serviço postal, muitas vezes os jornais vinham com semanas ou meses de atraso.

EXTRA! Nasce O Pyrilampo, o pioneiro!

Acervo da Biblioteca Pública do Estado de S. Catarina 
O governo decide por em hasta a Typographia Provincial, que é adquirida por um professor baiano, seu nome José Joaquim Lopes, que lecionava as primeiras letras em Laguna e em Desterro, popularmente era conhecido por mestre Lopes.

De sua tipografia saíram os jornais O Argos da Província de Santa Catharina O Despertador, alguns deles editados por José Joaquim Lopes Junior.

E não tardou para que, vendo a cidade de Laguna em expansão, com comércio totalmente valorizado, recebesse um jornal, 
mestre Lopes, reuniu algumas notícias e, junto com Joaquim Peixoto Lopes, editou em 01 de setembro de 1864, o jornal O Pyrilampo, destinado à ser um jornal literário, noticioso e comercial.

Assim foi ele saudado pelo jornal O Despertador que também era impresso na mesma tipografia:

Com o modesto título - O Pyrilampo - acaba de sair dos prelos do Sr. José J. Lopes um novo jornal com data de 1 do corrente mês, e continuará à sair à 15, e assim por diante, de modo que em todos os meses aparecerá duas vezes.                                              Uma associação de pessoas inteligentes e conspícuas residentes na cidade da Laguna resolveu fundar esse jornal, mandando imprimi-lo cá. É de supro que semelhante resolução seja apenas um ensaio, para poder-se, sobre base segura, calcular a possibilidade de estabelecer ali uma tipografia, onde o jornal serja impresso, e neste caso, em vez de sair duas vezes por mês, saia quatro ou mais vezes.                                                                                                         Seja como for, a resolução para nós é magnífica e os autores dela dignos de encômios.                                                                                 Já era tempo do povo lagunense fazer um esforço para sair dessa prejudicial apatia, talvez por acanhamento de muitos homens, aliás inteligentes e em circunstâncias favoráveis. (...) [O DESPERTADOR, 4 de setembro de 1864]
Ao que tudo indica foi bem recebido, o pequeno jornal de quatro páginas que defendia os interesses do comércio de Laguna. Em seu primeiro número já criticava o atraso que sua cidade enfrentava, já em seus seguintes exemplares dava soluções e falava sobre o precário serviço postal da época que em duas viagens mensais, atrasava sempre e quando chegava já partia muitas vezes com apenas algumas correspondências.

Era adepto das praxes jornalísticas: quatro páginas, coluna literária, folhetim e curtas notas noticiosas, possuía alguns anúncios e correspondências de leitores destinadas à comentar as notícias ou informar algum acontecimento.


Só restam do pequeno jornal cinco edições, a última data do dia 01 de novembro de 1864, portanto aceitemos esta como sua última edição, que talvez, por falta de apoio local tenha perdido seu fôlego.

O Município, o primeiro impresso local

Após quase quatorze anos sem um periódico, um professor sergipano, que lecionava as primeiras letras em Desterro e em Laguna, político filiado ao Partido Conservador e escritor, seu nome Presalino Lery dos Santos, que, tendo muito prestígio na sociedade lagunense consegue com a ajuda de alguns amigos comerciantes adquirir um prelo e material tipográfico, abrindo na cidade a primeira tipografia de sua história, a Typographia Lagunense.

É dos prelos desta tipografia que a 09 de setembro de 1878, sai a primeira edição de O Município, que possuindo quatro páginas, era impresso precariamente, e durante suas primeiras edições não possuía um dia fixo para circular, sendo assim circulou muitas vezes na segunda, na quinta, na sexta, boa parte no sábado, até fixar-se no domingo.


O jornal não vendia exemplares avulsos, por ser distribuído via assinatura, é possível deduzir que o mesmo era destinado às classes abastadas da cidade. Suas assinaturas custavam: 10$000 réis (ano), 5$000 (semestre) e 3$000 (trimestre). 
O jornal era muito noticioso, publicava folhetins, e também anúncios mediante o pagamento de 80 réis.

No dia 13 de junho de 1881, os prelos da Typographia Lagunense, são movidos pelo funcionário encarregado da função, entalham no papel linha d'água as notas e anúncios... O jorna é distribuído normalmente, mas aquela foi sua última edição. Seu fundador Lery Santos, se mudou para Desterro, onde continuou se candidatando à Assembleia Provincial e, produzindo o diário Província de curta duração.

Dias depois, numa nota intitulada 
O Município, o seu concorrente A Verdade assim publica: O sr. Thomaz Pereira Netto comprou a tipografia em que se publicava, nesta cidade o periódico daquele título. Dizem-nos que o sr. Netto não foi mais do que um agente ou comissários dos liberais daqui, pois a tipografia é para eles, que, ansiosamente e desde muito tempo, desejam ter um jornal seu, afim de fazerem suas exibições (...), ao fim da nota ainda faz votos para que não tarde a surgir o novo periódico.

Surge A Verdade, o terceiro jornal da Laguna

Acervo da Biblioteca Nacional - Rio de Janeiro
Em 1876, se estabeleceu na Laguna, o advogado e bacharel em direito, Thomaz Argemiro Ferreira Chaves, natural de Pernambuco. Três anos depois, com apoio de comerciantes e membros de seu partido, o Conservador, ele monta na Rua Direita (atual XV de Novembro), sua tipografia e lança o jornal A Verdade, uma folha comercial, noticiosa e literária, destinada à defender as ideias conservadoras.

Semanário, sua primeira edição circulou a 06 de julho de 1879, assim como seus antecessores, possuía quatro páginas, as notícias, editoriais e folhetins dominavam a edição, só se aceitavam anúncios de interesses particulares que fossem bem redatoriados.

Numa quinta-feira, dia 01 de janeiro de 1880, os assinantes do valente jornal receberam em suas casas uma edição do jornal fora de seu dia habitual (o domingo), e nele o anúncio de que a partir daquela data, a publicação passava a ser bissemanal e que a assinatura passaria por um leve aumento. 
A estrela do jornal durante sua existência foi a primeira ferrovia de Santa Catarina, que encontrava-se em construção, era a The Donna Thereza Christina Railway Company.

No último ano, passou a ser redatoriado pelo advogado lagunense Francisco José Luiz Vianna, também conservador, e foi assim até o dia 23 de setembro de 1885, quando pela última vez circula A Verdade, o motivo principal para o fim do bissemanário foi a extinção do diretório conservador e também do partido. Meses depois, seu fundador faleceu em Desterro, onde residia por ser deputado provincial.

Tentativa de outro jornal?

Um fato pouco registrado, foi alvo de uma nota n'O Despertador, de Desterro, onde diz que o Sr. Manoel José de Oliveira, advogado conservador, veio para Laguna, fundar um novo períodico afim de defender as causas do partido, e que a redação do mesmo seria chefiada por Lery Santos. O Partido Conservador, até então não possuía um órgão na capital, seu divulgador era A Verdade. Diz o jornal que a nova publicação seria apenas para defender os interesses da candidatura do doutor Oliveira, e lança pergunta como que o correspondente (Lery Santos) do Echo do Sul, de Porto Alegre, iria dirigir um periódico na Laguna se era diretor de um colégio no Desterro? Tal tentativa jamais foi concluída e, o 'novo jornal' jamais surgiu.

A Guerra entre A Verdade e O Município

Embora conservadores e colegas de partido, Lery Santos e Thomaz Ferreira, pareciam não se dar muito bem, quando A Verdade inciou sua publicação, Lery Santos criticou e elogiou o novo concorrente.

Thomaz, por sua vez, não deixou em branco, recebendo correspondências dos sócios de Lery Santos, publicava notas dizendo que o mesmo ao colocar no cabeçalho de seu jornal que era o Proprietário, não poderia ser tal, pois nem havia pago as quantias emprestadas para a compra dos tipos. 
É n'A Verdade que encontra-se editoriais criticando o fato de seu concorrente ter distorcido os dados que a Mesa de Rendas oficial havia lhe passado sobre as arrecadações anuais. guerra uma hora era ferrenha, outrora esfriava, e muitas vezes uniam forças para defender criticas vindas da capital, e foi assim até os últimos dias da vida d'O Município e d'A Verdade.

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Notas:

  • A Grafia foi atualizada, para evitar conflitos entre os acordos ortográficos vigentes.
  • Erroneamente o nome do professor Lery Santos, foi grafado Prezalindo ao invés de Presalino, em diversos documentos e em livros de história.
  • Os livros 'Coisas Velhas (Saul Ulysséa)' e 'Datas Históricas de Laguna (Márcio Matos Carneiro)', citam os dois primeiros periódicos mas com a data do primeiro número errada. Ulysséa diz que O Município teve seu primeiro número lançado em 12 de setembro de 1878, já Carneiro diz que O Pyrilampo teve seu primeiro número lançado em 6 de junho de 1864. 
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Leia os pioneiros jornais lagunenses:


Livros
CARNEIRO, Márcio Matos. Datas Históricas de Laguna: de setembro de 1494 à maio de 2003. 1ª Edição. Laguna: Imprensa Oficial do Estado de Santa Catarina. 2003.
PIAZZA, Walter. Dicionário Político Catarinense. UFSC: 1994.
ULYSSÉA, Ruben. Laguna: Memória Histórica. 1ª Edição. Brasília. Editora Letra Ativa. 2004.

Periódicos
Jornal A VERDADE (Laguna)
Diversas Edições, no período corrente de 1879 a 1885

Jornal O ALBOR (Laguna)
FREITAS, José DuarteFazem cem anos. Laguna. 12 de setembro de 1964

Jornal O CATHARINENSE
Cabeçalho. Edição 22. Ano 02. 25 de janeiro de 1832

Jornal O DESPERTADOR (Desterro)
Novo Collega da Imprensa CatharinenseEdição 172. Ano 02. 07 de setembro de 1864

Jornal O MUNICIPIO (Laguna)
Diversas Edições, no período corrente de 1878 a 1881

Jornal O PYRILAMPO (Laguna)
Diversas Edições, no período corrente de 01 de setembro a 01 de novembro de 1864

Trabalhos Acadêmics
FERNANDES, Mário Luiz. República de penas e espadas: o discurso da imprensa republicana catarinense (1885-1889). Tese. Porto Alegre: PUC-RS. 2007.
TEIXEIRA, Arilton. Catalogo analítico descritivo dos jornais de Laguna (1864/1900) o jornal como fonte histórica. Dissertação de Mestrado. Florianópolis: UFSC. 1991.
UNESC. Biografia de Antônio Pinto da Costa Carneio - Histórico do Colégio Toneza Cascaes. GRUPEHME. Santa Catarina. 

Base Eletrônica de Dados
BULLOS, Jacqueline. Coracional - Memória Lagunense e Lagunista. Laguna de Todos os Tempos. Disponível Aqui.
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Esta história foi re-escrita (2 vezes) em: 10/09/13 e 18/01/14 - - - - - Atualizada em 25/01/14, 09/03/14, 16/12/14 e 07/04/2015 (novo título)

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