Olá! Me chamo Luís e você? Seja muito bem vindo, aqui neste singelo espaço, você encontrará várias histórias e lendas, antigas e atuais da nossa bela Laguna





Foto: Elvis Palma | A tradição da pesca artesanal (Molhes da Barra)

21 de agosto de 2013

04 - Malteza S: Presente de Grego, maldição e até acidente aéreo

Navio Malteza S, encalhado na Praia do Gi. 1979 (Acervo: Antônio Carlos Marega)
Há quem diga que na Laguna, à noite tudo poderia acontecer, e de madrugada? Um sábado gélido... Então, foi assim num certo sábado de 1979, a população acordou com um navio gigante encalhando na cidade, daí em diante traiçoeiros acidentes, mortes, gregos e troianos brigando... Vamos saber disso tudo certinho.
Um navio grego encalha...
Maio de 1979, para os sulistas, foi um mês normal, poucos fatos curiosos ou trágicos aconteceram... Para nós da Laguna, o fim desse mês era o início de uma tragédia...
Era 26 de maio, vento sul, nevava em 26 cidades catarinenses, madrugada gelada com lua nova, Rafael Tobías Aponte Híguera, colombiano, marinheiro-foguista, jovem apenas 23 anos, foi correndo acordar o comandante do navio, bateu a sua porta gritando "Comandante!... Comandante!", a porta se abriu, do quarto um senhor calvo de baixa estatura, com cara de sono e de poucos amigos, vestiu um pesado casaco cinza, era Emmanouel Karras, grego, possuía 17 anos de experiência, logo quis saber o que se passava, olhou para seu relógio, eram 2 horas e 30 minutos da gélida madrugada, Rafael, ofegante e atropelando palavras, informou que estava inspecionando a praça de máquinas, quando constatou que a água estava tomando conta da praça, deram aviso de anormalidade e foram consultar as cartas náuticas, viram que estavam navegando no Estado de Santa Catarina (Brasil), nas proximidades do Rádio-Farol de Santa Marta, transmitiram um S.O.S., pela manhã, com o dia claro, Emmanouel, empunhou seu binóculos, olhou para o litoral, e notou estar a cerca de duas milhas da costa, fundeou-se a embarcação, enquanto era processado o esgotamento do navio, porém, o volume de água que entrava era maior do que o que saía, o navio adernava para BB enquanto a situação se tornava crítica, a água estava chegando aos geradores do navio. Surge um motim, os tripulantes, se acordaram, e queriam saber o que estava acontecendo, começavam a reunir suprimentos e queriam colocar os botes salva-vidas na água, enquanto o comandante pedia calma para os passageiros uma bomba usada para a retirada d'água quebrou, os passageiros se revoltavam, e Karras deu o comando para navegarem em direção à costa.

Carta de Karras. 1979
 (Extraído de 'A última viagem do Malteza S')
Avistou-se uma entrada de barra, uma pequena ilha (Ilha dos Lobos) cujo nome descobriram depois, uma pequena praia, com casas pequenas, a passagem pelas águas da praia do Mar Grosso, durou algumas horas da manhã, foi quando os lagunenses começavam a perceber a inusitada cena, o odontólogo e ex-prefeito da Laguna, Juacy Ungaretti, quando observou a cena, diz ele em entrevista a Valmir Guedes:
"O navio estava muito perto da praia, bem defronte ao antigo calçadão, o barulho dos motores da embarcação era muito alto e ele já estava meio adernado. A cena realmente impressionava".
Precariamente, o navio chegou até a praia do Gi, deserta e com poucas casas e prédios, no alto de uma montava havia um hotel, de cor vermelha que se destacava na mata, a cerca de 300 metros da praia.

A mensagem de S.O.S enviada na madrugada de sábado, foi captada pelo Salvamar Sul - Vº Distrito Naval situado na época em Florianópolis, prontamente o Salvamar (Serviço de Busca e Salvamento da Marinha do Brasil), repassou a mensagem para o Rebocador de Alto Mar Tritão R-21 que estava casualmente no Porto do Itajaí, a mensagem dizia:

"NAVIO MALTEZA S/S-XEP VG, BANDEIRA GREGA VG COM PRAÇA MÁQUINAS ALAGADA SOLICITA SOCORRO URGENTE PT POS ESTIMADA 2848 S E 4812 W VG 16 MILHAS LESTE CABO SANTA MARTA PT SUSPENDER FINS PRESTAR SOCORRO".

Prontamente, o Tritão foi para o local, quando estava em curso recebeu nova mensagem que informava as novas coordenadas geográfica do local do encalhe: Latitude 28 27' Sul (South) e Longitude 48 45' Oeste (West).

Ainda na manhã de 26 de maio de 1979, o Tritão chegou ao Malteza, e logo sua equipe constatou que o navio estava, adernado 10 graus para BB, com ferro de BE na água em direção NE - SW (Nordeste / Sudoeste), foi quando os oficiais da Marinha, tentaram contato com Emmanouel Karras, e logo viu-se que o mesmo tinha má vontade, era mau-humorado, e não ajudava os oficiais, que prepararam o "Questionário de Acidentado", um documento burocrático, porém o comandante se recusava a ajudar os oficiais, e ainda dizia que o S.O.S enviado era exclusivamente para socorro dos tripulantes e ainda dizia que tinha 17 anos de navegação e que nunca sofrerá um naufrágio, mais ele acabou cedendo, sendo antipático, ele escreveu no documento no cure, no pay, em português quer dizer "em caso de insucesso, não haverá pagamento".

Os oficiais, fizeram uma rápida inspeção no cargueiro, onde constataram que a praça de máquinas estava submersa sob quase cinco metros de água, o motor principal do cargueiro encontrava-se parcialmente inundado e os dois geradores de energia estavam queimados.
Uma caminhada enquanto o Malteza S agoniza. (Foto: Jornal da Semmana / Extraído de 'A última viagem do Malteza S')
Ainda no mesmo dia os mergulhadores do Tritão começaram a trabalhar, mais a maré, o vento forte e a falta de energia elétrica, prejudicaram os trabalhos que só começaram no dia seguinte. Já no domingo (27), foi solicitado à IIIª Companhia de Infantaria do Exército em Tubarão/SC, um bocal com 20 bocais para lâmpadas, que naquele momento tornou-se a única fonte de energia no navio. Foi por volta das nove horas da manhã, quando um mergulhador do Tritão, alcançou a válvula do fundo do navio, que ainda estava funcionando e descobriu-se que a "entrada de água ocorrera pelo rompimento da canalização de 2,5 polegadas que une o flange da válvula ao fundo do navio", por volta do meio dia foram enviadas ao navio duas bombas Godiva P-300, para esgotamento das águas, após algumas horas depois, o nível das águas começou a diminuir, tentaram um tapamento da canalização rompida, trabalho este que foi infrutífero. Correndo os riscos de morte para o mergulhador, por conta das baixas temperaturas e das correntezas das águas, tentou-se o tampamento por baixo do navio, no local do ralo da válvula, que se situava a apenas 20 centímetros do fundo do navio, com sucesso colocaram um bujão de madeira (2 x 4) no local, paralisaram os trabalhos pois caiu a noite.

Segunda - feira, 28 de maio, tão logo o dia amanheceu os mergulhadores do Tritão, perceberam que o bujão anteriormente colocado, havia se soltado, introduziram outro a golpes de marreta. Enquanto o bujão era colocado a Marinha do Brasil, realizava sondagens e análises, e chegaram a conclusão de que era possível desencalhar o navio se puxado a popa na direção NE (Nordeste), já que com o esgotamento da praça de máquinas, a popa do navio levantaria o suficiente para o desencalhe do navio, nas análises constataram ainda que um canal no costado do navio e de sua popa poderia ser aberto com auxílio de uma draga, sendo assim o Malteza S poderia ser encaminhado ao Porto de Imbituba, para serem realizados reparos. O tenente e agente da Capitania dos Portos de Santa Catarina, na cidade de Laguna, explicou a imprensa que "a pane sofrida pelo navio era rara. O defeito apresentado na válvula de fundos e que levou o cargueiro ao encalhe só tinha duas explicações: o navio é muito velho, ou a última vez em que foi reparado, a válvula não sofreu vistoria".
1º de junho de 1979, enquanto os jornais do sul, noticiavam que Grêmio-RS e Esportivo-RS tinha jogado sob a neve, bem como Chapecoense/SC e Criciúma/SC e Internacional de Lages/SC e Avaí/SC, os oficiais do Tritão, viram sinais pirotécnicos  serem lançados do navio, e subiram a bordo, para iniciar o esgotamento da praça de máquinas e passar um cabo para desencalhe do avio porém Emmanouel Karras, não permitiu nada e ressaltou que o sinal lançado era para retirada dos tripulantes do navio; a Marinha, providenciou uma declaração em inglês, para que Karras assinasse e afirmasse que não autorizava o salvamento do navio. Dizia o documento (foto): By the present document I declare that I don't authorize the salvagem of the ship M/V "Malteza S".
Documento 'not salvage'. 1979
(Acervo: Marinha do Brasil / Extraído
de 'A última viagem do Malteza S')
Negou-se a assinar, afirmado que só assinaria na presença de seu armador, eram testemunhas do documento os tenentes da Marinha, Erivaldo Edson Carvalho de Almeira e Sérgio Ramos Nascimento, neste momento formou-se um impasse e assim a Marinha acabava as tentativas se salvamento. 24 (dos 29) tripulantes do navio foram transportados por lanchas até o extinto Farol Palace Hotel, o proprietário do estabelecimento era árabe e o seu filho Monder El Mashni servia de intérprete para os tripulantes egípcios pois falava fluentemente a língua árabe, outro intérprete era Georgios Damianos Andreadis, comerciante grego, cedeu sua linha telefônica para contato com o armador do navio e foi intérprete de Emmanouel Karras. Na noite daquele dia chegaram a Laguna, os representantes da companhia seguradora do navio, Sílvio Roberto Smera, Rubens Walter Machado e Francisco Nogueira Filho, tinham sidos contratados pela Societá Italiana Assicurazioni Transporti - SIAT, de Gênova, Itália, via telex dois dias antes (29), foram ainda informados que as 8.070 toneladas por m², de milho a granel estavam amparadas por apólice de US$ 1.200.000,00.
Malteza S, naufragando. 1979
(Foto Lourival Bento - Jornal O Estado
 Extraído de 'A última viagem do Malteza S')
No dia 02 de junho, o navio deslocou-se 30 graus em direção a praia, adernando-se mais 5 graus para BB, com isso aumentou o encalhe do navio. Seguindo ordens do Salvamar Sul, o rebocador Tritão foi para o Porto de Imbituba para realizar reabastecimento e aguardar novas ordens, enquanto isso os tripulantes do navio ficavam "sem saber o que fazer", não saíam, não falavam, só que a hospitalidade lagunense contagiou os estrangeiros que logo começaram a sair, comprar jornais, dar entrevistas, tirarem fotos, e conversar nas rodas, em que se falavam inglês, espanhol, árabe, grego e português. Ainda no dia 02 de junho, foi realizada uma reunião dos representes da SIAT e dos oficiais da Marinha com o comandante Emmanouel Karras, este último mau humorado, impediu os trabalhos dos advogados que queriam fazer inspeção nos porões do navio, só após muitas conversas, puderam entrar nos porões, já que Karras dizia que não deixaria ninguém entrar enquanto os armadores não enviassem o representante da seguradora do casco do navio.
Dias depois, chegou à Laguna, o representante da Frachtscontor Junbet Inc., companhia seguradora alemã que fez apólice do casco do navio em US$ 25 milhões.
Os dias seguintes foram de muita apreensão, ocorriam várias reuniões na Delegacia dos Portos de Imbituba e Laguna, com autoridades civis e militares da Laguna, agentes protetores do navio, peritos da seguradora e o comandante Emmanouel Karras, o objetivo era que fosse autorizado o desencalhe do navio, porém o comandante afirmava teimosamente que não permitira tal ato sem autorização e consciência de seus armadores

A situação se agrava, a imprensa começa a noticiar
Usando a tribuna da Assembléia Legislativa (ALESC), o deputado estadual Manoel de Souza, em tom de desespero dizia "se o navio se arrebentasse a poluição atingiria toda a costa de Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul", enquanto isso no navio, chegava a 7 metros o nível da água na praça de máquinas e 5 metros de areia começava a cobrir a popa, naqueles dias a temperatura chegava a cinco graus célsius.
No dia 05 de junho, através de seu advogado Ronaldo Pinho Carneiro, o técnico em salvamento e obras submersas de Porto Alegre/RS Cary Ramos Valli, fez requerimento ao Juiz de Direito da Comarca de Laguna, para que uma Medida Cautelar de Protesto fosse ajuizada,. a intenção da medida era a salvatagem do navio, caso fosse abandonado, e que ele ficasse como depositário da união. Em 06 de junho, uma ação popular movida pela Fundação de Amparo à Tecnologia e ao Meio Ambiente - Fatma, dá entrada no juízo de Direito da Comarca da Laguna, o objetivo da ação era retirar urgentemente o óleo dos tanques do navio.
Convés do Malteza S. 1979 (Acervo: Smera Advogados / Extraído de 'A última viagem do Malteza S')
No dia 11, foi enviado pelo então prefeito de Laguna, Mário José Remor, um telex ao Palácio do Itamaraty, dizia o telex:
        "Na qualidade de prefeito municipal da Laguna peço permissão para trazer ao conhecimento de Vossa Excelência, a seguinte ocorrência: dia 26 passado encalhou numa das praias oceânicas que banham esta cidade o cargueiro de bandeira grega denominado Malteza S, com sérias avarias, situação que agrava-se dia-a-dia e já apresentando violenta mudança em sua posição. Seu carregamento, constituído de oito mil toneladas de milho a granel, embarcado na República Argentina, se destinava a Itália. Segundo técnicos, há impossibilidade do salvamento do referido navio. Sua carga ocasionará estouro do casco comprometendo seus tanques de óleo, calculadas em 450 toneladas.Isso ocorrendo, as praias desta cidade, inclusive as baías que banham esta mesma cidade pelo lado sul,ficarão irremediavelmente perdidas por um período imprevisível, acarretando consequências  catastróficas à pesca e ao turismo, duas únicas fontes de sobrevivência econômica da cidade.Diante desta situação angustiante que a população de nossa cidade proceder: Comunico que foi realizada dia 10 do corrente uma reunião a qual compareceram autoridades municipais, representantes do armador, do fretado e de empresas de seguro.Durante a referida reunião , liberei praticamente a empresa de salvamento de carga, de Porto Alegre, para as providências iniciais, salvaguardando o destino da comunidade, independente de autorização por parte da Companhia Seguradora, do navio que será hoje, dia 11, decidido a retirada de carga para a praia. Na expectativa que Vossa Excelência envie urgente parecer, aguardo em estado de ansiedade maior junto à população, pois o assunto pelo seu aspecto, envolve Direito Internacional Marítimo".
Porém naquele mesmo dia 11, dizendo-se autorizado pelos seus armadores, Emmanoel Karras, abandonou o navio, era 08 horas e 15 minutos da noite, quando o último tripulante da embarcação deixou o navio, tornando efetivo o abandono ele arriou a bandeira grega e deixou o navio a cargo do mar, em carta redigida e enviada em 20 de junho à Capitania dos Portos em Laguna, ele explicava que os armadores consideravam o navio como irreparável e perda total, e ainda agradecia pela generosa hospitalidade e colaboração dos lagunenses em relação ao infortúnio do mar.
Esquema elaborado pela Fatma. 26 de junho de 1979
(Acervo: Fatma / Extraído de 'A última viagem do Malteza S
'

Em 12 de junho, a imprensa começava a assustar a população com suas assustadoras machetes. Naquele mesmo doze de junho, tendo como advogado e procurador, Ronaldo Pinho Carneiro, dá-se a entrada no juízo de Direito da Comarca de Laguna, uma Ação de Salvados Marítimos em nome de Cary Ramos Valli.

No feriado municipal lagunense, em honra ao nosso padroeiro Santo Antônio dos Anjos, no gabinete do prefeito Mário José Remor, ocorreu uma longa reunião das 11 horas até as 14 horas daquele dia em que contou com a presença do então comandante da Capitania dos Portos de Santa Catarina, Dauri Monteiro, e de diversos implicados. Mário em documento expunha os fatos ao então Juiz de Direito da Comarca de Laguna, Erwin Rubi Pessoni Teixeira, que o entregou em anexo a solicitação, junto com depoimentos, naquele mesmo dia 13, o juiz Teixeira, deu o despacho. Naquele momento entrava em cena a empresa Schilling & Cia., de Porto Alegre junto com o técnico Cary Ramos Valli, para que fosse retirado o milho e o óleo do navio.

Os tripulantes partem, o milho e o óleo também... Malteza vira "atração turística"
Tripulantes egípcios, defronte o Farol Palace Hotel. 1979
(Foto: Jornal O Estado SC / Extraído de 'A Última Viagem do Malteza S')
No dia 15 de junho, o Ministério das Relações Institucionais envia telex para a prefeitura de Laguna que é recebido em 16 de junho, onde dizia que o Itamaraty, autorizava a prefeitura a efetuar a retirada do óleo que estava nos tanques do navio, embora tardio o telex, a decisão judicial já havia sido tomada, no dia 17 de junho, a Fatma, divulgou nota em que dizia que descartava a a retirada mecânica do óleo do navio, porém o óleo e o milho, começavam a vazar, no dia 17, o milho tomava conta das areias e das águas do Gi e do Mar Grosso, mais de 100 toneladas vazaram.

No dia 18, os tripulantes do Malteza S, foram levados em um ônibus especial da empresa Florianópolis Turismo Ltda - Floritur, que a pedido dos passageiros, passou lentamente na Praia do Gi, diziam adeus e uns até choravam, foram levados para Florianópolis, onde seguiram de abião pela Transbrasil e seguiram para a Grécia com conexão em Frankfurt (Alemanha) pela Lufthansa. Uma semante antes, já haviam partido alguns tripulantes, da última partida ficaram apenas o chefe de máquinas Antipatius Demetrio e o comandante Emmanouel Karras que partiram no dia 19. Enquanto milho e óleo, ia navegando nas águas, a Fatma e a Marinha entravam em impasses, uma descartava a retirada mecânica de óleo, outra dizia que não caberia a retira do óleo e do milho, situação que se pendurou até dia 24 de junho.
Pessoas carregam milho. 1979
(Foto: Orestes de Araújo - Jornal O Estado / Extraído de 'A última viagem do Malteza S'

Na sua edição de 21 de junho, o jornal Diário do Paraná de Curitiba, em matéria de Lourival Bento dizia que: (...) Laguna é uma das cidades turísticas de Santa Catarina, por suas belas praias e pelos pratos típicos do fundo do mar que seus restaurantes oferecem. Agora o navio "Malteza" poderá ser incluído no calendário turístico. No domingo passado cerca de três mil pessoas, de cidades vizinhas e de Outros Estados foram até a Praia do Gi para ver de perto a embarcação (...)

Em 24 de junho, a Fatma e a Schiling & Cia. Ltda., firmaram contrato para a retirada do óleo e do milho do navio, mais enquanto não começava a retirada, o milho era juntado pela população local e vizinha que usava como alimentos de porcos e galinhas,o óleo tomava conta da água e chegava já nas pedras rosadas do Gi. Dois dias depois em 26 de junho, começaram a retirar o óleo, que era bombeado para tonéis, que foram levados para o Terminal Pesqueiro de Laguna, através dos barcos Dakar, Dom Jaime e Avante. Foi quando a Petrobrás de São Francisco do Sul/SC, cedeu dois cay man, que eram sacos de borracha conhecidos como minhocão, que eram levados para o navio e quando ficavam cheios eram retirados do navio. Voltando ao dia 26 de junho, a Fatma, por meio de seu presidente Alcides Abreu, deu explicações da "Operação Malteza" na Assembléia Legislativa de Santa Catarina.
A nova atração turística, todos queriam registra ela.
Na foto, o jovem Rodrigo Porto Siebert, ao lado de familiares
defronte o Malteza. 1979.
 (foto enviada por Rodrigo Porto Siebert)
O óleo do navio foi retirado, e apenas uma pequena parte do milho foi recuperada, pois o resto "navegou" nas águas da Laguna

Retirada de equipamentos, leilão do óleo, do milho e a venda do casco
Uma empresa de Caxias do Sul/RS, foi contratada para desmontar e retirar equipamentos do navio, que foram levados para o Terminal Pesqueiro da Laguna, posteriormente foram levados para o depósito da empresa em Caxias do Sul/RS, onde foram vendidos como sucata.
Todo o óleo que foi retirado do navio (475 tonéis de "fuel-oil", 500 litros de óleos de lubrificação e 2 toneladas de óleo diesel), e que foram levados para o Terminal Pesqueiro da Laguna, teve seu primeiro leilão em 31 de outubro de 1979, onde nenhum comprador apareceu, já no segundo realizado em 21 de novembro, Zelmar Colgonese, comerciante de Caxias do Sul/RS, arrematou todo o lote através da hasta pública. O preço pago foi de Cr$ 0,54 por litro (no total Cr$ 52.650,00.).
481.745 quilos de milho, que restou do Malteza S, foi para a hasta pública em 18 de setembro, onde o comerciante industrial de Três de Maio/SC, Nelson Ghisi, arrematou o todo o lote por Cr$ 0,81 por quilo de milho (no total Cr$ 390.213,45). Todo o dinheiro pago foram depositados em poupança aberta no extinto Banco do Estado de Santa Catarina - Besc (Atual Banco do Brasil), o dinheiro foi usado para pagamento de honorários e outras despesas.
Em janeiro de 1980, a empresa Concard Comércio de Ferro Ltda, do Rio de Janeiro, protocolou petição na Comarca de Laguna, afirmando ter comprado o casco do navio grego, pagando US$ 16.500 dólares à empresa Malteza Schipping Company of Panamá S/A, sem total confirmação tal ato, fez o caso se arrastar por anos, enquanto a briga judiciária ocorria, em abril uma fissura no casco do navio criava uma rachadura e em 26 de junho de 1980, o navio partia-se ao meio, sendo soterrado nas praias do Gi, sobrando apenas a ponta de um mastro visto até os anos 90. O historiador lagunense Dalmo Mendes Faísca se admira de tal feito das areias do Gi, diz ele em entrevista à Valmir Guedes: "Incrível, como pode ter desaparecido um navio daquele tamanho. Só o mastro de mezena devia medir uns 25 metros. Tudo Sumiu"
Mastro do Malteza S, no Gi. anos 90 (Foto: André Luíz Bacha / extraído de 'A última viagem do Malteza S')
O Navio
Quando ainda se chamava Vasaholm (enviada por Emerson Machado)

Construído em 1955, no estaleiro Eriskbergs M/V de Göteborg, sob o nome de Vasaholm, na época pertencente à empresa Swedish American Line, tanto o navio quanto a empresa e o estaleiro eram da Suécia.  Ele possuía ainda um 'irmão', o navio sueco Stureholm, com as mesmas características.

Em janeiro de 1967, foi repassado à empresa sueca AB Svenska Atlant Linjen, já em 1971, seu nome vira Brosea e é comprado a frota da empresa sueca P/R M/R Brosea Limited. Em janeiro de 1975, é vendido à empresa grega Malteza Mar Co., é então renomeado para Malteza S, e passa a "defender" a bandeira grega.

Possuía 160 metros, tinha cor cinza, a ferrugem dominava o velho cargueiro, que já tinha feito várias viagens pelo mundo, tinha 25 anos. Ele havia partido da Dinamarca, cheio de veículos militares destinados à Buenos Aires (Argentina), de lá seguiu para o Porto de Rosário (Argentina), onde zarpou em 23 de maio de 1979, com destino à Gênova (Itália), com parada para reabastecimento no Rio de Janeiro. O navio, veio carregado de milho à granel distribuídos em seis porões, além de Fuel-Oil e Óleo Diesel distribuídos em seus tanques.

Contrabando no Malteza S?
Desde o encalhe do Malteza S em 26 de maio, surgiam versões de que supostamente, lanchas iam até o navio e voltavam para a costa como diziam moradores da Praia do Gi, diziam que os tripulantes do navio quando desembarcaram trouxeram consigo produtos comprados na terra de 'los hermanos' e que levariam para a Itália como televisores, toca-fitas, rádios e friogobar's. Sem fiscalização, não sabe-se se tal contrabando foi real.
Ainda sua edição de 21 de junho, o jornal Diário do Paraná de Curitiba, em matéria de Lourival Bento (já citada) dizia que: (...) Um fato novo surgiu ontem. A carga de milho que estava sendo transportada no porão do navio, de Buenos Aires para a Itália, poderia ser contrabando. A Polícia Federal está investigando, mas até ontem não confirmou. Ontem a população de Laguna recebeu na praia cerca de 100 toneladas da carga de milho. (...). Não sabe-se, se de fato o milho transportado era contrabando.
O Delegado-substituto Hermógenes dos Santos (in memorian), disse a imprensa que eles "falam em até motocicletas, e isto pode ser possível pois o milho está a granel nos porões". Alguns juram até hoje que haviam duas motos na cor preta.
Em 7 de junho foram lacrados pelos ficais da Receita Federal, Elisabeth Albuquerque e Ary Millen da Silveira, num armário e num depósito de tintas. 20 dias depois (27), foram abertos o depósito e o armário pelo fiscal de tributos Ari Silveira, onde foi encontrado, um vidro de Prokain (10mg), um frasco de Fenerval, 26 cápsulas de morfina (20mg) , 24 litros de Martini italiano, 15 garrafas de champanhe francesa, 38 litros de uísque Grant's de fabricação escocesa, 5 litros de Campari italiano, 1 litro de Ballantine's um uísque escocês, 19 maços do cigarro mexicano Baronet, 3 maços do paraguaio Del Pardo, 23 maços do brasileiro Charm, além de 35 latas de refrigerante da Coca-Cola, de fabricação grega. Foram entregues a Polícia Federal (PF), as cápsulas de morfina, e o vidro de Prokain e o frasco de Fenerval.

Encalhe foi proposital?
O Malteza S, encalhou e consigo fez surgir histórias, era histórias de contrabando, de maldição, mais uma das que tiveram mais fundamentos foi a de que o encalhe do navio foi proposital.
Supostamente, teria Emmanouel Karras, sido ordenado a encalhar propositalmente o navio, sob ordens de seus armadores, tendo em vista que o navio já tinha 25 anos e estava precário.

No "Relatório de desencalhe do navio, elaborado pela Marinha Brasileira", consta que: "Houve bastante dificuldade em colocar-se o material a bordo do mercante, em face do total desinteresse, má vontade e até hostilidade da guarnição que se encontrava fazendo um churras na popa e chegou (...) a atirar pedaços de carne no pessoal do navio, que se encontrava na lança, na faina de içar as bombas."
Outra parte interessante do relatório é a que diz que o mergulhador através de tato, encontrou junto à válvula rompida, uma marreta, um martelo e uma alavanca. Ainda registram que tais boatos, tiveram mais força frente ao desinteresse de Emmanouel Karras em colaborar com as tentativas de salvamento.

O marinheiro argentino Carlos Emília Corral, em 23 de setembro de 1979, concedeu entrevista ao jornalista Celso Martins, que na época trabalhava no jornal O Estado, hoje extinto. Carlos dizia que: (...) O comandante Emmanouel Karras, juntamente com os principais de bordo, planejou, com a aquiescência dos armadores, o encalhe da velha embarcação. (...) Antes de encalhar em Laguna,  navio esteve em Rosário, a 300 km, de Buenos Aires, na Argentina, onde deveriam ser realizados reparos em seu casco, bem como pintura e retoques em geral. Estes trabalhos não foram feitos neste país, ficando para ser realizados no Uruguai. Mais novamente adiados (...)
Durante todo o tempo em que (...) permaneceu fundeado no porto de Buenos Aires, o comandante Karras, telefonava todos os dias para os armadores gregos. (...) No porto de Rosário o navio permaneceu por mais 15 dias, no curso dos quais, o comandante manteve intenso contato telefônico com a Grécia. (...) Após o encalhe [em Laguna], uma conversa ao telefone do comandante Karras, foi ouvida pelo ex-tripulante da embarcação. Dizia Karras:  —Alô! Olha, saiu tudo perfeito. Ótimo. Dentro daquilo que havíamos planejado (...)
Se o encalhe foi ou não proposital, não saberemos.

Acidentes
O Malteza S, durante os dias de encalhe reuniu trágicas histórias... Umas mortais...
Era 22 de junho de 1979, a empresa Schilling & Cia Ltda., iniciava os preparativos para a retirada do óleo, mais as condições marítimas e temporais não permitiram que fossem instalados as bombas de sucção. No dia 26, completando um mês da tragédia, os técnicos da empresa foram instalar as bombas, e foi quando um equipamento se soltou e lançou para longe o técnico do Comitê de Defesa do Litoral de São Paulo, Luiz Antônio de Mello Awazu, que teve escoriações e uma perna fraturada.
No dia 06 de agosto, o advogado Rubens Walter Machado, que fazia parte da equipe representante da SIAT, estava examinando a carga de milho, quando escorregou no convés, a embarcação adernada em 30 graus, iria jogá-lo no mar revolto, e seria um acidente fatal, foi quando num milagre, o advogado se agarrou a um pedaço dos balaustres do navio que ainda não havia sido arrancado.
Avião acidentado na praia do Gi. 23 de março de 1980.
(Foto: Geraldo ''Gê'' Luiz da Cunha / Fonte Diário do Sul)
24 de agosto de 1979, terminados a retirada do óleo do navio, inciava-se a retirada do milho que estava no porão 01, a porta principal estava emperrada, para conseguir entrar operários abriram um buraco e em silêncio desceram quatro operários, que iriam retirar  milho manualmente e içá-los para um barco de pesca, foi quando um operário introduziu a pá no milho fermentado e molhado, que na hora lançou sobre eles um gás, que em instantes matou Quintino Bertolini (29 anos), Almir Arrubez (25 anos), João Miranda (31 anos) e Vanildo Pacheco de Souza (16 anos), todos da Laguna, outros dois operários, um rapaz chamado Victor e o porto-alegrense Roberto Fiss, foram internados as pressas no Hospital de Caridade Senhor Bom Jesus dos Passos da Laguna.
Sete meses após o fatídico acidente, era 15 horas de 23 de março de 1980, um avião prefixo PT-DSK, modelo Gran Caravan Cessna 150, que pertencia ao Aero-Clube de Tubarão, se choca com os cabos de aço e mata o empresário paulistano Ângelo Zanichelli de 42 anos e o piloto Walmor Rollando Muller de 27 anos natural de Jaraguá do Sul/SC. Ângelo, estava indo para Registro/SP, atrás de informações de um equipamento que era usado pelo seu irmão, quando soube que a informação não era verdadeira, ele avisou a família que voltaria à Tubarão, foi quando em voo rasante, eles se chocaram com os cabos de 15 metros de altura instalados para servirem de 'bondinho' para os operários. Ângelo ficou preso as ferragens e Walmor foi resgatado do avião com vida, mais não resistiu aos ferimentos.
Um ano depois em 23 de outubro de 1980, Pedro Cardoso e mais dois colegas nadavam sobre as boias usadas para a salvatagem do navio, quando uma forte onda o atingiu e o lançou para longe. Socorrido pelos amigos, faleceu por afogamento no Hospital de Caridade Senhor Bom Jesus dos Passos
Era 16 de janeiro de 1981, quando um cabo de aço que ligava o navio a terra, se partiu, o cabo era usado de bondinho para transporte ao navio, operários que lá estavam viram-se num pesadelo era final de tarde, o medo era grande, só após muito esforço eles chegaram em terra.

Acórdão do Tribunal Marítimo
Sob o número 10.264, em 23 de setembro de 1980, o Tribunal Marítimo situado no Rio de Janeiro, publicou seu acórdão a cerca do encalhe do navio.
Nele dizia que o comandante Emmanouel Karras é responsável pelo precário estado de conservação do navio, julgava responsável também a empresa Santo Maritime S.A, por ter se omitido desde o encalhe até o dia do Acórdão.
A multa para os responsáveis foi de 50 valores de referência (S.M) e de 10 valores de referência (E.K), além de custas nas formas da lei e pagamento dos honorários dos advogados.

Mutirão de Limpeza
Mário José Remor, relembra na sua entrevista ao Diário do Sul, em 2009, de que “No meu gabinete tive que colocar jornais pelo chão. As pessoas chegavam com os pés molhados”, diz o ex-prefeito. “A prefeitura não teve gastos significativos no episódio. Recebemos muita ajuda, emprestaram máquinas, veio gente até de São Paulo. Chegaram a lavar a Pedra do Frade com água e sabão”, complementa. De fato, sim a população se mobilizou para limpar toda a praia, e conseguiram, sem afetar nada, o verão 1980, estava garantido, o óleo e o milho retirados, e as pedras do Iró limpas.

Depoimentos
Andréa Matos Pereira - professora de história - relato para o autor em 03 de fevereiro de 2014
       "Os meses que se seguiram ao encalhe do Malteza, foram de tristeza para a nossa praia. Toda a orla ficou tomada pelo piche e ele grudava em nossos pés quando íamos a praia. Quando chegava em casa era um trabalhão para tirar todo aquele piche."

Zamir Bianchi Piazza - empresário e político - entrevista para Valmir Guedes
       "Logo pela manhã bem cedo a empregada lá de casa veio avisar que havia um grande navio parado bem perto da praia. Fui ver e notei que a embarcação estava bem em frente às Pedras do Iró, com sua proa virada para o Mar Grosso (...) Me dirigi ao Iate Clube e numa lancha junto com alguns amigos fomos ao navio. Subimos à embarcação por uma perigosa rede situada no costado. (...) Coversamos com os oficiais e ficamos sabendo do que estava correndo. Fui a primeira pessoa aqui da Laguna a subir no navio depois dele encalhado. Os tripulantes do rebocador da Marinha Tritão chegaram depois (...) "

Curiosidades
Malteza S no satélite. 2003 - 2013. (Reprodução Google Earth / Sob arte de Luís Claudio J. Abreu)
  • De 2003 à 2006, através do programa Google Earth, era possível ver os destroços do navio Malteza S, em foto via satélite.
  • Na época do encalhe, estava em cartaz no Cine Mussi, o filme "A Viagem dos Condenados", logo fizeram alusão ao encalhe
  • O chef de cozinha do Laguna Tourist Hotel, inspirado pela tragédia, criou o prato "Filet Mignon à Malteza's", a composição era um filé alto, coberto por caviar (alusão ao óleo), cercado por creme de milho (alusão à carga do cargueiro) e acompanhado de arroz a grega (alusão a nacionalidade da embarcação).
  • O "S", do nome do navio, significa Santo, em referencia a empresa Santo Maritime Co., empresa dona do navio.
  • Para a construção da Igreja Santa Terezinha, no Mar Grosso, aproveitando o tráfego de veículos e pessoas, Elisabeth Antunes, Gerussa Remor, Antônio Carlos Marega e Zuleide Coral, criaram um pedágio na Praia do Gi, que arrecadou Cr$ 11.000.000,00 (11 mil cruzeiros) e que foram investidos na construção da capela.
Fotos e algo mais...:
Veja um álbum de fotos do Malteza S, com fotos enviadas por leitores (tem mais alguma, aceito colaboração), há também charges e matérias de jornais da época.


------------------------------------------------------------------------------
Notas:
¹ - Na época o título Diário Catarinense, pertencia aos Diários Associados em Santa Catarina, após a crise do grupo, o jornal foi fechado em meados dos anos 80 e re-lançado em 1986, por Maurício Sirotsky Sobrinho, agora pertencente ao Grupo RBS.
² - Em alguns jornais o nome do navio foi escrito como Malteza S. Piraeus, pois foi em Piraeus (Grécia) que ele foi construído, muitos associaram a cidade ao nome do navio.

---------------------------------------------------------------------------------------------
Referências
Fontes de Pesquisa
Livros
  • GUEDES JÚNIOR. Valmir. A Última Viagem do Malteza S. 1ª Edição. Laguna: Edição do Autor. 2010
Periódicos e Revistas
  • CORREIO DO POVO. Companhia Jornalística Caldas Júnior. Porto Alegre. Edições de 1979.
  • DIÁRIO CATARINENSE. Diários Associados. Florianópolis. Edições de 1979.
  • DIÁRIO CATARINENSE. Grupo RBS.  Florianópolis. Edições de 2009.
  • DIÁRIO DO PARANÁ. Diários Associados. Curitiba. Edições de 1979.
  • JORNAL DA SEMANA. Florianópolis. Edições de 1979
  • JORNAL DO BRASIL. Rio de Janeiro. Edições de 1979.
  • SEMANÁRIO DE NOTÍCIAS. Laguna. Edições de 1979.
  • O ESTADO DE SÃO PAULO. São Paulo. Edições de 1979 e 1993.
  • O ESTADO. Florianópolis. Edições de 1979.
  • O RENOVADOR. Laguna. Edições de 1979.
Base Eletrônica de Dados
-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
Esta história foi re-escrita (1 vez) em: 31/01/14 - - - - - Atualizada em 30/08/13, 16/11/13 e 09/07/14

10 comentários:

  1. Ótima reportagem!
    Digna de ser compartilhada!!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Elizabete, obrigado pelo elogio e pela visita, volte sempre!

      Excluir
  2. Muito bom este post! Em 1981 fomos ver o Mateza, eu era criança na época mas a impressão que tive era que o navio estava torto ou partido ao meio...Também lembro que o casco era todo marrom quase vermelho por causa da ferrugem provavelmente. Gostaria de ver alguma foto do Malteza do ano de 1981

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Angelo, obrigado por comentar, não sei lhe dizer se existem fotos do Malteza em 1981, na fanpage do blog e aqui eu também publiquei algumas fotos, algumas são datadas de 1980 e outras dos anos 80, confere lá!

      E volte sempre!

      Excluir
  3. Nasci em 1979 e não conhecia esta história. Gostei muito de conhecer através de tão boa reportagem. Parabéns!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Magaly, tudo bem? Obrigado por visitar o blog e pelo elogio. Realmente uma história interessante! Volte sempre!

      Excluir
  4. Maravilha de reportagem! Parabéns! Eu fui testemunha dos dois fatos!!!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Desculpa pela demora, Orlando. Obrigado pelo elogio! Testemunha ocular então? Que interessante!

      Excluir
  5. Ótima reportagem e de muita importância para Laguna, já que é necessário sabermos a história ao certo. Meu pai trabalhou nessa época, Oswaldo Bento conhecido como Birô, mas teve que fazer uma viagem e quem o substituiu foi Pedro Cardoso que infelizmente veio a falecer... tenho grande lembranças desses fatos.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi, Jaqueline. Obrigado pelo comentário. Interessante saber que seu pai trabalhou nesta época do Malteza, mas deixa eu ver se entendi, ele não foi trabalhar no dia que deu o trágico acidente com os operários, por conta da viagem foi isso?

      Excluir

Olá, leitor! Tem alguma coisa à dizer?
Seu comentário será sempre bem vindo!
Peço gentilmente que o autor do comentário se identifique.

Copyright © Blog As Mil e Uma Histórias de Laguna | Direitos Reservados à Luís Claudio Joaquim Abreu

Design original: Anders Noren | Editado por LUCLA